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República Odebrechtiana do Brasil

Chico Alencar

Soubemos de duas delações de diretores da Odebrecht. Faltam 75! Mas essas já foram arrasadoras: revelam, no dizer de um deles, Cláudio Melo Filho, a “privatização indevida de agentes políticos em favor de interesses empresariais nem sempre republicanos”. Nunca republicanos, convenhamos, pois o método contamina o mérito.

Até aqui, foram citados 54 parlamentares de 12 partidos: PMDB, PSDB, PT, DEM, PSB, PSD, PTB, PP, PCdoB, PPS, PTC E PR. Claro que cada menção há de ser checada: caberá à Justiça ver não apenas valores e procedimentos denunciados, mas as provas dos ilícitos.

O sistema revelado impressiona: a Odebrecht tinha um setor de propinas, chamado pomposamente de Departamento de Operações Estruturadas. De 2006 para cá esse DOE “aplicou” pelo menos R$ 68 milhões de reais – em parte do Caixa Dois da empresa – em campanhas eleitorais e em “mimos” pessoais, para garantir os seus negócios, tanto no Executivo quanto no Parlamento.

Cláudio detalha 14 MPs e projetos que foram alterados para atender os múltiplos interesses do grupo Odebrecht, nominando ao menos nove congressistas ou ex-congressistas que, segundo ele, “venderam” sua ação legislativa e/ou de influência: Romero Jucá, o “Resolvedor da República”, os atuais presidentes da Câmara e do Senado, ministros do governo Dilma e de Temer e deputados vários, “mais relevantes”.

O sistema propineiro era (talvez seja ainda) tão sofisticado que os sujeitos das atividades ilícitas ganhavam apelidos, para disfarçar. Alguns reveladores do desprezo que a empresa devotava aos seus corrompidos. Daria para formar dois times de futebol – que têm como adversário preferido a ética pública: Justiça, Caju, Babel, Bitelo e Corredor, Caranguejo e Gremista, Gripado, Campari, Piqui e Decrépito. No banco de reservas, não necessariamente em função de menor importância no esquema, estariam Ferrari, Angorá, Boca Mole, Botafogo e Moleza, Velhinho e Missa, Índio, Polo, Kimono e Tuca. Elenco grande e dispendioso, com muitos outros que nem cabem nesse espaço. O delator Cláudio diz que teve que recusar “atletas” que o procuravam, pois só “contratava” os que eram mais “promissores” em termos de efetividade em resultados favoráveis à empreiteira: “percebi que deveria selecionar determinados agentes com relevância política e que teriam melhores condições de gerar resultados positivos para a minha empresa”. Mais direto, impossível.

É preciso proclamar de novo a República, banindo essas práticas espúrias, o governo que as acolhe, os parlamentares que as viabilizam. Só com eleições diretas, com igualdade de condições na disputa de projetos para o país, começaremos a sair desse lamaçal. Repudiemos os costumeiros acordos de sobrevivência da casta política, já tramados nos bastidores dos palácios do Executivo, das mansões dos presidentes do Legislativo e que almejam bater às portas dos gabinetes de alguns ministros do Supremo. Chega!

Fonte: PSOL 50
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